Sicários – Quem Foram

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Durante o dia de hoje, 04/03/2026, provocado por manifestações nos jornais televisivos de dados instigantes sobre investigações da Polícia Federal, foi intensa a divulgação do termo “sicário”, identificado apenas como “assassino”.

Quem foram os sicários?

Os chamados sicários foram integrantes de grupo radical judaico, que atuou na região da Judeia durante o século I da era cristã, especialmente nas décadas que antecederam e acompanharam a grande revolta judaica contra o Império Romano.

O nome do grupo deriva da palavra latina “sica”, que designava uma pequena adaga curva, fácil de esconder sob as vestes. Aqueles que a utilizavam passaram a ser chamados de “sicarii”, isto é, homens da adaga.

Esse movimento surgiu em período de grande tensão política e religiosa. A Judeia encontrava-se sob domínio romano, situação que gerava profundo descontentamento entre muitos judeus, especialmente os mais nacionalistas e religiosos.

Diversos grupos surgiram defendendo resistência ao poder estrangeiro. Entre eles estavam os Zelotes, conhecidos por sua oposição radical ao domínio romano. Muitos historiadores consideram os sicários uma facção extremista ligada ou derivada desse movimento.

Os sicários tornaram-se conhecidos por sua forma peculiar de atuação. Em vez de batalhas abertas, utilizavam assassinatos seletivos como instrumento político.

Misturavam-se à multidão durante festividades religiosas em Jerusalém ou em locais públicos e, de forma súbita, sacavam a sica escondida sob a túnica para atacar a vítima. Logo após o golpe, voltavam a ocultar a arma e se confundiam com a multidão, tornando difícil sua identificação. Esse método os tornou temidos e contribuiu para a fama de eficiência e audácia, também como hábeis assassinos.

As vítimas escolhidas geralmente eram autoridades judaicas, consideradas colaboradoras de Roma, ou membros da elite local que aceitavam o domínio romano.

Em alguns casos, também atacavam romanos ou pessoas que simbolizavam a submissão ao poder imperial. Para os sicários, esses assassinatos tinham objetivo político claro: eliminar traidores e, ao mesmo tempo, provocar instabilidade suficiente para estimular uma revolta geral contra Roma.

Além dos assassinatos, fontes históricas indicam que os sicários também recorreram a sequestros e outras formas de violência para pressionar autoridades e obter a libertação de companheiros presos.

O principal relato sobre o grupo vem do historiador judeu do século I Flávio Josefo, que descreveu suas atividades e os considerava responsáveis por espalhar medo e radicalizar o conflito político na região.

A atuação dos sicários intensificou-se especialmente no período que antecedeu a grande revolta judaica contra Roma, conhecida como Primeira Guerra Judaico-Romana.

Durante esse conflito, várias facções judaicas lutaram contra o domínio romano, mas também entraram em conflito entre si. Nesse contexto de guerra civil e resistência, os sicários consolidaram sua fama de combatentes fanáticos e implacáveis.

Após a destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70 d.C., parte dos sobreviventes refugiou-se na fortaleza de Massada, uma imponente posição rochosa próxima ao Mar Morto. Ali permaneceram por alguns anos resistindo ao cerco romano.

Segundo o relato tradicional de Flávio Josefo, quando os romanos finalmente invadiram a fortaleza, em 73 ou 74 d.C., os defensores preferiram a morte coletiva à captura, episódio que se tornou um dos relatos mais dramáticos da história antiga da região.

Historicamente, os sicários são frequentemente citados como um dos primeiros exemplos conhecidos de organização que utilizava assassinatos políticos sistemáticos como estratégia de luta.

Para alguns estudiosos modernos, eles representaram uma forma antiga de insurgência ou terrorismo político, embora o contexto religioso, nacionalista e anti-imperialista da época, seja muito diferente das realidades contemporâneas.

Assim, os sicários foram grupo ativo aproximadamente entre as décadas de 40 e 70 d.C., surgido em meio às tensões da Judeia sob domínio romano. Tornaram-se famosos pela utilização da pequena adaga chamada sica, pelos assassinatos seletivos realizados em locais públicos e pela participação nos conflitos que culminaram na grande revolta judaica contra Roma.

Seu legado histórico permanece como exemplo de como conflitos políticos, religiosos e nacionais podem produzir movimentos radicais dispostos a utilizar a violência como instrumento de transformação histórica.

Fontes; pesquisas virtuais.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
04/03/2026

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