Início Da Vida No Planeta Terra

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Pesquisas científicas tradicionais sugerem que atmosfera tinha ingredientes essenciais para vida há poucos bilhões de anos.

Pesquisas científicas recentes e amplamente divulgadas, indicam que a atmosfera primitiva da Terra já continha ingredientes químicos essenciais à vida, há muitos bilhões de anos.

Entre esses componentes estariam compostos orgânicos contendo enxofre, capazes de participar da formação de aminoácidos e proteínas, elementos fundamentais para os processos biológicos.

Os resultados desafiam concepções anteriores segundo as quais essas substâncias só teriam surgido após o aparecimento dos primeiros organismos vivos.

Essas novas conclusões foram divulgadas ao público em recente reportagem da jornalista Ramana Rech, publicada no jornal Folha de São Paulo em 31 de dezembro de 2025, com base em estudos científicos recentes que analisam a composição química da atmosfera terrestre primitiva e seus potenciais efeitos sobre a química prebiótica.

O novo entendimento não afirma que a vida já existia nesse período remoto, mas sugere que o ambiente atmosférico possuía condições químicas favoráveis para que os processos que antecedem o surgimento da vida pudessem ocorrer muito mais cedo do que se acreditava anteriormente.

A VISÃO CIENTÍFICA ANTERIOR E ATUAL

Antes dessas conclusões mais recentes, a doutrina científica predominante adotava uma posição mais conservadora quanto ao momento do surgimento da vida na Terra.

De modo geral, livros-texto, artigos de revisão e consensos acadêmicos situavam o início da vida em um intervalo compreendido entre aproximadamente 3,8 bilhões e 3,4 bilhões de anos atrás.

Esse período corresponde à transição entre o final do Éon Hadeano e o início do Éon Arqueano, quando se acreditava que o planeta já apresentava maior estabilidade geológica, presença contínua de oceanos líquidos e temperaturas compatíveis com reações bioquímicas complexas.

Os principais marcos tradicionalmente aceitos eram os seguintes.

Entre cerca de 3,8 e 3,7 bilhões de anos atrás, surgem indícios geoquímicos indiretos, como assinaturas isotópicas do carbono encontradas em rochas muito antigas da Groenlândia. Esses sinais foram interpretados como possíveis evidências de atividade biológica primitiva, embora sempre tratados com cautela, pois também podem ser explicados por processos abióticos.

Entre aproximadamente 3,5 e 3,4 bilhões de anos atrás, aparecem as evidências consideradas mais robustas e amplamente aceitas pela comunidade científica, como estromatólitos fossilizados e estruturas sedimentares atribuídas à ação de microrganismos, possivelmente cianobactérias fotossintetizantes. Esses registros foram encontrados principalmente na Austrália Ocidental e na África do Sul, e esse intervalo passou a ser citado como o início mais seguro da vida na Terra.

Períodos anteriores a cerca de 3,9 ou 4,0 bilhões de anos atrás eram tradicionalmente considerados improváveis para o surgimento da vida. Essa visão baseava-se na hipótese do Bombardeio Intenso Tardio, segundo a qual a Terra teria sofrido impactos frequentes de asteroides e cometas, além de apresentar crosta instável, altas temperaturas e oceanos possivelmente intermitentes. Esse conjunto de condições era visto como hostil à origem e à manutenção de sistemas biológicos.

SÍNTESE E IMPLICAÇÕES DAS NOVAS PESQUISAS

Até pouco tempo atrás, portanto, o entendimento científico mais cauteloso afirmava que a vida teria surgido somente após o planeta atingir um grau mínimo de estabilidade ambiental, em torno de 3,8 bilhões de anos atrás, com aceitação mais firme a partir de 3,5 bilhões de anos.

As pesquisas recentes não alteram diretamente as datas das evidências fósseis conhecidas, mas ampliam de forma significativa o horizonte temporal das condições necessárias ao surgimento da vida.

Ao indicar que a atmosfera terrestre já possuía ingredientes químicos essenciais em épocas muito mais remotas, esses estudos reforçam a possibilidade de que os processos prebióticos tenham se iniciado muito antes do que se supunha.

Esse novo quadro científico sugere que a Terra pode ter se tornado quimicamente habitável logo após sua formação e resfriamento inicial, abrindo caminho para uma reavaliação mais ampla sobre a origem da vida no nosso planeta e, por extensão, sobre a possibilidade de vida em outros mundos com condições semelhantes.

Fontes; pesquisas virtuais, incluindo literatura científica recente e divulgação jornalística especializada, como a da jornalista Ramana Rech, publicada no jornal Folha de São Paulo em 31 de dezembro de 2025, CLIQUE PARA CONHECER A MATÉRIA PUBLICADA.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
31/12/2025

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