Micróbios Que Se Alimentam De Metano

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Tratando de conteúdo científico confiável e genuíno, a matéria que segue é síntese de notícia publicada pela Folha de São Paulo em 11 de outubro de 2025, assinada por Raymond Zhong e Giacomo d’Orlando, jornalistas especializados em ciência e meio ambiente, descrevendo estudo real em andamento sobre microrganismos que consomem metano.

MICRÓBIOS QUE SE ALIMENTAM DE METANO PODERÃO AJUDAR A FREAR O AQUECIMENTO GLOBAL

Pesquisadores descobriram, no fundo do mar Tirreno, próximo à ilha de Montecristo, na costa da Toscana, Itália, microrganismos que consomem metano, um potente gás de efeito estufa.

Esses seres minúsculos, presentes na Terra há bilhões de anos, vivem em fissuras submarinas onde o gás vaza naturalmente.

O estudo busca compreender se o apetite dessas bactérias pode ser redirecionado para reduzir emissões humanas de metano, provenientes de atividades como pecuária, exploração de petróleo e decomposição orgânica.

O microbiologista Braden Tierney, da organização Two Frontiers Project, liderou uma expedição que coletou amostras de sedimentos e biomassa no leito marinho. As análises mostram que esses micróbios, chamados metanotróficos, desempenham papel importante no equilíbrio climático, pois consomem parte significativa do metano que, de outra forma, seria liberado na atmosfera. Sem eles, a Terra estaria ainda mais quente.

Os cientistas acreditam que, se estimulados, esses micróbios poderiam ajudar a resfriar o planeta, funcionando como aliados naturais no combate às mudanças climáticas. Entretanto, cultivá-los e controlá-los é grande desafio: muitos não toleram oxigênio e dependem de condições específicas e interações simbióticas para sobreviver.

O Two Frontiers Project, financiado por entidades privadas, tem estudado bactérias capazes de absorver dióxido de carbono e, mais recentemente, espécies que consomem metano. Uma cepa identificada na Sicília mostrou potencial de absorção comparável ao de uma árvore, e novas amostras italianas revelaram colônias de micróbios e algas que crescem usando simultaneamente luz solar e metano, combinação que pode ser útil para reduzir emissões em arrozais.

Atualmente, as formas mais simples de conter o metano atmosférico envolvem medidas como consertar vazamentos de gás, tratar resíduos e alterar a dieta de rebanhos. No entanto, essas soluções ainda são pouco aplicadas. Por isso, cientistas veem nos microrganismos uma esperança tecnológica e natural para enfrentar o aquecimento global.

O projeto continua analisando as amostras coletadas no Mediterrâneo e planeja novas expedições em áreas vulcânicas da África e do Pacífico, em busca de espécies microbianas ainda desconhecidas.

Para o professor Jeffrey Marlow, da Universidade de Boston, estudar esses organismos não apenas ajuda a entender a vida em ambientes extremos, mas também revela seu papel essencial na manutenção do equilíbrio climático da Terra.

A NOTÍCIA ORIGINAL, NA ÍNTEGRA

Fontes; pesquisas virtuais.

Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
11/10/2025

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