Artemis II é a segunda missão do programa Artemis da NASA e representa um marco histórico por ser o primeiro voo tripulado desse programa.
O lançamento previsto para 06/02/2026, em razão de previsão de tempo desfavorável, foi prorrogado para 08/02/2026.
Seu objetivo principal é levar os quatro astronautas em viagem ao redor da Lua e retornar à Terra, algo que não ocorre desde 1972, quando a missão Apollo 17 encerrou a era das missões lunares tripuladas.
O programa Artemis foi concebido como esforço de longo prazo para restabelecer a presença humana na Lua de forma sustentável e, a partir dessa experiência, preparar futuras missões humanas com destino a Marte.
O lançamento da Artemis II está planejado para ocorrer a partir do Kennedy Space Center, na Flórida, utilizando o foguete Space Launch System, conhecido como SLS, em sua configuração Block 1.
A tripulação viajará a bordo da espaçonave Orion, desenvolvida especificamente para missões tripuladas em espaço profundo. A Orion conta com módulo de serviço fornecido pela Agência Espacial Europeia, responsável pelos sistemas de propulsão, geração de energia elétrica, controle térmico e suporte de vida durante a missão.
A tripulação da Artemis II é composta por quatro astronautas experientes;

- Reid Wiseman atua como comandante da missão.
- Victor Glover ocupa a função de piloto.
- Christina Koch participa como especialista de missão.
- Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, integra a equipe como especialista de missão.
Esta composição torna a Artemis II uma missão histórica também do ponto de vista humano, pois inclui o primeiro astronauta não norte-americano a viajar em uma missão lunar, além de ampliar a diversidade entre os participantes de voos desse tipo.
A missão terá duração aproximada de dez dias e seguirá perfil de voo cuidadosamente planejado. Após o lançamento, a espaçonave Orion será inserida inicialmente em órbita terrestre, onde permanecerá por um período destinado a testes críticos. Durante essa fase, os sistemas de navegação, comunicação, controle ambiental e suporte de vida serão avaliados em condições reais de operação.
A tripulação também realizará manobras de controle manual e testes de proximidade utilizando o estágio superior do foguete como referência, preparando os astronautas para operações mais complexas em missões futuras.
Concluída a fase de testes em órbita terrestre, a Orion realizará a manobra de injeção translunar, que colocará a espaçonave em trajetória em direção à Lua.
A missão seguirá trajetória do tipo retorno livre, na qual a gravidade lunar é utilizada para curvar o caminho da nave e direcioná-la de volta à Terra, sem a necessidade de grandes correções de propulsão. Esse tipo de trajetória aumenta a segurança da missão, pois permite o retorno mesmo em caso de falhas significativas nos sistemas de propulsão.
Durante o sobrevoo lunar, a Orion passará pelo lado oculto da Lua e alcançará distância significativa além do satélite natural, superando os limites atingidos por missões tripuladas anteriores.
A distância máxima exata varia conforme a posição orbital da Lua, mas a missão levará os astronautas a mais de um milhão de quilômetros de percurso total, estabelecendo novos recordes de afastamento da Terra para seres humanos.
No retorno, o módulo de serviço será descartado antes da reentrada atmosférica. O módulo de tripulação da Orion penetrará na atmosfera terrestre a velocidades superiores a quarenta mil quilômetros por hora, sendo desacelerado por um escudo térmico avançado e por um sistema sequencial de paraquedas.
O pouso ocorrerá no Oceano Pacífico, onde equipes especializadas da Marinha dos Estados Unidos realizarão a recuperação da cápsula e da tripulação.
Ao longo de toda a missão, serão coletados dados fundamentais sobre o desempenho dos sistemas da Orion em ambiente de espaço profundo, incluindo suporte de vida, proteção contra radiação, comunicações de longa distância e interação entre a tripulação e os sistemas automatizados da nave.
Esses dados são essenciais para validar tecnologias, procedimentos operacionais e protocolos de segurança que serão empregados nas próximas etapas do programa Artemis.
A missão Artemis II não inclui um pouso na superfície lunar, mas é considerada um passo decisivo para esse objetivo. As informações obtidas servirão de base direta para a missão Artemis III, que prevê o retorno de astronautas ao solo da Lua, bem como para o desenvolvimento da estação orbital lunar Gateway e de futuras missões interplanetárias.
CHEGADA À LUA E RETORNO À TERRA.
Na missão Artemis II, a espaçonave não realizará órbitas ao redor da Lua. O perfil de voo prevê apenas um contorno lunar, seguido do retorno direto à Terra.
Tecnicamente, a Artemis II utiliza trajetória conhecida como retorno livre. Nessa configuração, a nave Orion é lançada em direção à Lua de modo que a própria gravidade lunar desvie sua trajetória, curvando o caminho da espaçonave e direcionando-a naturalmente de volta à Terra. Isso significa que a nave passa pelo espaço ao redor da Lua, sobrevoa o satélite, inclusive seu lado oculto, mas não entra em órbita lunar fechada.
Durante esse sobrevoo, a Orion não reduz sua velocidade o suficiente para ser capturada gravitacionalmente pela Lua. Para entrar em órbita lunar seria necessário um acionamento específico do sistema de propulsão para desacelerar a nave, algo que não faz parte dos objetivos da Artemis II.
A missão foi deliberadamente planejada para evitar essa complexidade adicional, priorizando a segurança, a validação dos sistemas e a experiência tripulada em espaço profundo.
Portanto, o que ocorre é único sobrevoo em trajetória alongada, que leva a nave a passar além da Lua, atingir uma grande distância da Terra e, em seguida, iniciar automaticamente o caminho de retorno.
Esse perfil permite observar a Lua de ângulos raramente vistos por humanos, testar comunicações e navegação no lado oculto e validar o comportamento da espaçonave em ambiente cislunar, sem os riscos operacionais associados à inserção e permanência em órbita lunar.
As missões seguintes do programa Artemis, especialmente aquelas que envolverão a estação Gateway ou pousos na superfície, sim incluirão inserções em órbita lunar. A Artemis II, porém, foi concebida exclusivamente como uma missão de contorno e retorno, funcionando como passo intermediário essencial entre o voo não tripulado da Artemis I e o pouso humano planejado para a Artemis III.
Assim, Artemis II marca o início efetivo de uma nova era de exploração humana além da órbita terrestre baixa, combinando avanços tecnológicos, cooperação internacional e a retomada da ambição humana de explorar o espaço profundo.
Fontes; pesquisas virtuais.
Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
31/01/2026

