Descoberto há pouco tempo, o exoplaneta L98-59d está localizado em órbita de uma estrela Anã Vermelha chamada L98-59, na Constelação do Voador, localizada no hemisfério sul celeste. É constituído por estado pastoso derretido.
- Estrela Anã Vermelha – É a forma mais comum de estrela do universo.
- Trata-se de um astro pequeno, relativamente frio e pouco luminoso quando comparado ao Sol. Sua massa pode ser de apenas uma fração da massa solar, e sua temperatura superficial costuma ficar abaixo de 4.000 °C, o que lhe confere a coloração avermelhada característica.
- Apesar de discretas no brilho, essas estrelas têm uma qualidade impressionante: são extremamente longevas. Enquanto o Sol viverá cerca de 10 bilhões de anos, uma anã vermelha pode existir por trilhões de anos, queimando seu combustível de forma lenta e eficiente.
- Outro ponto curioso é que muitas delas apresentam intensa atividade magnética, com erupções frequentes, o que pode influenciar fortemente eventuais planetas próximos.
- Em resumo, as anãs vermelhas são pequenas, frias, pouco brilhantes, mas incrivelmente duradouras — verdadeiras “sobreviventes cósmicas” que dominam a população estelar da galáxia.
O surpreendente e inédito exoplaneta L98-59d encontra-se a aproximadamente 35 anos-luz da Terra. Isso corresponde a cerca de 330 trilhões de quilômetros, uma distância imensa, mas relativamente próxima em escala galáctica.
As observações mais recentes do exoplaneta L98-59 d, feitas com o James Webb Space Telescope, revelaram algo realmente extraordinário: ele não é um planeta “rochoso”, nem “oceânico”, nem “gasoso” no sentido tradicional. Trata-se, ao que tudo indica, de uma nova classe de planeta, no estado pastoso e derretido.

O que significa dizer que ele está em “estado pastoso derretido”
A frase do astrofísico de Oxford não é exagero. Modelos baseados nos dados do Webb indicam que praticamente todo o planeta está em um estado fundido, semelhante a um oceano global de magma.
Isso implica várias características fundamentais:
Primeiro, não há crosta sólida estável como a da Terra. Em vez disso, existe um oceano de lava que pode se estender por milhares de quilômetros de profundidade.
Segundo, esse magma não é apenas superficial. Ele domina o interior do planeta, possivelmente representando a maior parte do seu volume, com apenas um núcleo metálico relativamente pequeno.
Terceiro, o termo “pastoso” é adequado porque o material não é totalmente líquido como água, mas sim um fluido extremamente viscoso, semelhante a lava espessa ou até algo como melaço em escala planetária.
Temperaturas extremas e efeito estufa descontrolado
A superfície do planeta atinge temperaturas superiores a 1.500 °C, podendo chegar perto de 1.900 °C.
Esse calor não vem apenas da proximidade com sua estrela, uma anã vermelha, mas também de um forte efeito estufa. A atmosfera retém calor de forma extremamente eficiente, impedindo o planeta de esfriar ao longo de bilhões de anos.
Atmosfera incomum: rica em enxofre
Outro aspecto decisivo revelado pelo Webb é a composição da atmosfera:
Ela é dominada por hidrogênio, mas contém grandes quantidades de compostos de enxofre, especialmente sulfeto de hidrogênio (H₂S).
Esse gás é conhecido pelo cheiro de “ovo podre”, o que levou cientistas a descreverem o planeta como potencialmente nauseante, se fosse possível estar lá.
O mais interessante é que o oceano de magma atua como um reservatório químico, absorvendo e liberando esses gases ao longo do tempo, mantendo a atmosfera estável por bilhões de anos.
Por que ele é diferente de tudo já visto
Até recentemente, planetas desse tamanho (cerca de 1,6 vezes o diâmetro da Terra) eram classificados em dois tipos principais:
- planetas rochosos com atmosfera leve; ou
- “mundos oceânicos” ricos em água.
O L98-59 d não se encaixa em nenhum dos dois.
Ele parece ser:
- um planeta com grande quantidade de gases voláteis;
- um interior dominado por magma;
- uma atmosfera rica em enxofre;
- e um estado fundido persistente por bilhões de anos.
Isso levou os cientistas a propor uma nova categoria: planetas sulfurosos com oceano global de magma.
Implicações científicas
Essa descoberta é importante por vários motivos.
Primeiro, mostra que a diversidade de planetas no universo é muito maior do que se imaginava.
Segundo, sugere que muitos planetas podem permanecer em estado fundido por bilhões de anos, contrariando a ideia de que rapidamente se solidificariam como a Terra.
Terceiro, ajuda a entender o passado da própria Terra, que também teve um oceano de magma em sua formação inicial.
Síntese final
O L98-59 d é, essencialmente, um mundo infernal estável: um planeta onde não existe superfície sólida, mas sim um oceano global de rocha derretida, coberto por uma atmosfera densa e química extremamente incomum.
Quando o astrofísico afirma que “todo o planeta está em estado pastoso e derretido”, ele está descrevendo literalmente um planeta inteiro funcionando como uma gigantesca massa de lava viva, dinâmica e quimicamente ativa, algo que realmente não tem equivalente direto no nosso sistema solar.
Fontes; pesquisas virtuais.
Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
23/03/2026

