MATÉRIA ESCURA E ENERGIA ESCURA – O que são, como sabemos que existem e como moldam o universo.
Quando observamos o céu estrelado, enxergamos apenas uma pequena fração do que realmente compõe o cosmos.
Com segurança cientistas calculam que 68% do cosmos é composto por Energia Escura. 27% é de Matéria Escura, e, somente 5% formam os planetas, estrelas, galáxias, nebulosas e toda a matéria comum que conhecemos e vemos.

Matéria Escura, Energia Escura e Matéria comum, juntas dominam a estrutura, a evolução e o destino do universo.
O que é a matéria escura
A matéria escura é um tipo de matéria que não emite, não absorve nem reflete luz. Ela não pode ser vista por telescópios convencionais, mas sua presença é detectada por seus efeitos gravitacionais. É como uma estrutura invisível que sustenta o universo.
A primeira evidência robusta surgiu na década de 1930, quando o astrônomo suíço Fritz Zwicky estudou o aglomerado de galáxias Coma, e percebeu que as galáxias se moviam rápido demais para estarem gravitacionalmente ligadas apenas pela matéria visível.
Décadas depois, nos anos 1970, a astrônoma Vera Rubin analisou as curvas de rotação de galáxias espirais e constatou que as estrelas nas regiões externas orbitavam com velocidades muito maiores do que o esperado. Isso só poderia ser explicado pela presença de uma grande quantidade de massa invisível envolvendo as galáxias.
Hoje sabemos que a matéria escura forma vastos halos ao redor das galáxias e atua como uma espécie de “andaime cósmico”. Simulações computacionais mostram que, sem ela, as galáxias simplesmente não teriam se formado como observamos.
Após o Big Bang, pequenas flutuações de densidade cresceram sob a ação gravitacional da matéria escura, criando a base sobre a qual a matéria comum se acumulou.
O que é a energia escura
Se a matéria escura atua como força de atração gravitacional adicional, a energia escura faz exatamente o oposto: ela está associada à aceleração da expansão do universo.
Em 1998, duas equipes independentes, ao estudarem supernovas do tipo Ia muito distantes, descobriram algo surpreendente: o universo não estava apenas se expandindo, mas acelerando essa expansão. Essa descoberta foi anunciada por grupos liderados por Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess, e revolucionou a cosmologia moderna.
A explicação mais simples é que o próprio espaço possui uma energia inerente, frequentemente associada à constante cosmológica proposta por Albert Einstein em 1917. Essa energia age como uma espécie de pressão negativa, fazendo com que o espaço se expanda cada vez mais rapidamente.
Como sabemos que elas existem
A evidência da matéria escura vem de vários fenômenos independentes. Além das curvas de rotação galáctica, observamos seus efeitos na lente gravitacional, quando a luz de galáxias distantes é desviada por concentrações invisíveis de massa.
O mapeamento da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, realizado por missões como o satélite Planck, também confirma que a maior parte da matéria do universo não é bariônica, ou seja, não é composta de prótons e nêutrons comuns.
A energia escura, por sua vez, é inferida principalmente pela observação da expansão acelerada do universo, pelas medições da radiação cósmica de fundo e pela distribuição em grande escala das galáxias.
Os dados indicam que cerca de 68% do conteúdo do universo corresponde à energia escura, enquanto aproximadamente 27% é matéria escura. O restante, 5%, é matéria bariônica tradicional.
Como moldam o universo
A matéria escura molda a arquitetura cósmica. Ela determina onde as galáxias se formam, como se agrupam em superaglomerados e como se distribuem ao longo dos filamentos da chamada teia cósmica. Em regiões onde há maior concentração de matéria escura, a gravidade favorece o colapso da matéria comum e o nascimento de estruturas.
A energia escura, por outro lado, influencia o destino final do cosmos. Se sua densidade permanecer constante, o universo continuará a se expandir para sempre, tornando-se cada vez mais frio e rarefeito. Se sua intensidade variar com o tempo, cenários mais dramáticos são possíveis, como uma expansão tão intensa que poderia, em teoria, desagregar galáxias, estrelas e até átomos, em um cenário conhecido como Big Rip.
O que ainda não sabemos
Apesar de sua importância, ainda não sabemos do que a matéria escura é feita. Diversas hipóteses propõem partículas exóticas, denominadas como WIMPs e/ou Axions, mas nenhuma foi detectada de forma conclusiva até hoje. Experimentos subterrâneos e aceleradores de partículas continuam tentando identificá-las.
Quanto à energia escura, o mistério é ainda maior. Ela pode ser simplesmente a constante cosmológica de Einstein, uma propriedade do próprio espaço vazio, ou pode envolver um campo dinâmico ainda desconhecido.
O valor observado é incrivelmente pequeno quando comparado às previsões da física quântica, o que constitui um dos maiores problemas teóricos da ciência moderna.
Uma curiosidade inquietante
Vivemos em uma época cosmológica especial. A aceleração da expansão ainda permite observar galáxias distantes e reconstruir a história do universo.
Em um futuro muito distante, se a energia escura continuar dominando, as galáxias além do nosso grupo local poderão desaparecer além do horizonte observável, tornando o universo aparentemente vazio para civilizações futuras.
Assim, matéria escura e energia escura não são apenas conceitos abstratos. Elas são os principais componentes do universo e determinam sua estrutura, sua evolução e seu destino.
Paradoxalmente, tudo o que conhecemos diretamente é apenas uma pequena fração do todo. O universo que vemos é sustentado e conduzido por aquilo que ainda não compreendemos plenamente.
Fontes; pesquisas virtuais.
Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
13/02/2026

